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Mais um final de ano letivo...

Mais um final de ano letivo. O cansaço mistura-se a frustração de não ter conseguido certas coisas que julgávamos tão importantes. A vontade ambígua de parar e descansar e ao mesmo  tempo aproveitar os últimos minutos para tentar modificar algo. A eterna inadequação.
Quantos alunos felizes, sorridentes, lendo e relendo, criando textos que nos deixam eternamente emocionados, escrevendo cartinhas que para sempre guardaremos. E um grupo menor, aquele que não conseguiu, mais uma vez. O olhar para trás, a análise do que está errado, do que fizemos de errado ou do que deixamos de fazer para ajudar. Havia ajuda possível? Fizemos nossa parte? Qual era nossa parte? Em meio ao tumultuado dia a dia numa sala de aula, é difícil dividir alguma coisa em partes, todas as coisas parecem compartilhadas, angústias são de todos, dores repartidas, problemas sociais divididos na falta do lápis, no emprestar do lápis de cor.
Escola. A maior alegria de uma escola ainda reside nestas alegrias e tristezas de sala de aula. É quando a porta se fecha que a janela para a vida se descortina. E é por detrás daquela porta que ainda somos felizes. A escola, por pior que possa parecer, não é um lugar de pessoas felizes. A escola sobrevive a seus embates diários, se arrasta entre vidas e pensamentos opostos e incongruentes. A escola é a pior parte da educação; e a melhor parte dela habita os olhos dos meus alunos. As suas falas, os seus bilhetes e recadinhos de carinho, os seus avanços diários compartihados na felicidade geral da turma. E que - pasmem! - não interessa a escola! A Escola é a burocracia, são os documentos, pontos, atrasos e faltas numa folha onde somos números e não cabem erros ou humanidades. 
Nem sempre sei se sigo em frente, tenho sempre a impressão de uma grande peça de teatro. Não poderia ser real o que vivemos na escola. Se a escola fosse escrita a giz, num quadro negro, eu apagaria toda a escola, e deixaria aquele brilho nos olhos do aluno que conseguiu ler! Aquele sorriso contagiante no rosto da menina que compartilha lápis de cor, sentada ao lado de uma amiga. Eu deixaria o que menos importa para quem dirige a escola. Deixaria todos os pequenos detalhes que passam despercebidos para quem só enxerga a burocracia. E que nos transforma todos em robôs, e assim, autômatos da escola e imbuídos de toda a sua frieza que exige silêncio e organização, prosseguimos.
Terminamos sempre como se nem fôssemos mais o que éramos. E o cansaço da adaptação à escola é sempre tão grande, estamos dormindo mal, comendo errado, estamos todos tentando caber. Todos tentando ser um pouco normais aos olhos alheios. Por que os olhares dos outros são sempre tão importantes?
É preciso sobreviver aos olhares, sobreviver ao grupo, sobreviver à escola para conseguir ter o que a escola tem de melhor: o brilho no olhar, o sorriso nos lábios e a ingenuidade da infância.
Em que outro lugar se poderia dar o melhor de si? A Escola tira o melhor que possuimos porque precisamos nos adequar, não podemos ser eternamente inadequados a ela. E assim, completamente moldados pela escola, seguimos, com nossos diários de classe em dia, com nossos planos de aula em dia, nossas turminhas enfileiradas e tristemente silenciosas. Prosseguimos com nossa eterna preocupação em vista do barulho da classe e do professor ao lado. Prosseguimos mantendo o silêncio, exigindo quietude e organização, em nossos ralos exercícios  mecanizados que ajudam a manter a situação vigente do país. Porque a escola não sobrevive a aulas barulhentas e criadoras, a escola não sobrevive a ruídos de felicidade. Ela foi e será sempre assim: acinzentada. Acinzentada de gente que ficou igual, tristemente igual.
A única coisa que podemos fazer, em vista de todas estas questões é entrar de férias.
E sentir o coração apertar no peito de deixar a turminha querida e todos os nossos momentos lindos que nem interessam à escola, não importam.
Felizmente estes momentos farão diferença a nossos pequenos.
Um Feliz Natal a todos!!!
Um 2012 feliz a todos!!

Elizabeth



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