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ATIVIDADES COM AS LETRAS DO ALFABETO RECORTE E COLE LETRA F

                             Recortar e colar figuras ou palavras com a letra inicial trabalhada.





Autoria das atividades: Profa Elizabeth Cavalcante
Ilustrações encontradas na Internet.
Se alguma é de sua autoria ou o ofende, por favor entre em contato
e retiraremos, Obrigada.

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Personagens da história da abelhinha, do método abelhinha de alfabetização



Aqui estão as personagens da História da Abelhinha, do Método Misto de Alfabetização da abelhinha. Cada um deles tem uma função na história. Diversas pessoas consideram o método tradicional e antiquado, porém, muitos ainda o utilizam em sua prática diária.

Clicando aqui você encontra a história completa. Aqui tem as etapas de aplicação, ainda aqui tem os cartazes para imprimir e aqui tem algumas atividades.

Clique aqui para ver o guia de aplicação do método.

Clique aqui para ver o silabário ilustrado.

Clique aqui para ver o pré-livro de leitura da época.

E aqui tem jogo da memória

A pedidos deixo aqui as personagens:

ABELHINHA

HARPA


RATO


PIPA


GATO


MINHOCA


QUEIJO


JACARÉ


DÁLIA

 FACA

BULE


ZEBRA

VAGALUME


XAVECO


TORRE


ÍNDIO


CARACOL


NENÊ


ÓCULOS


ESCOVA MÁGICA


LOBO


SAPO


URSO





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Biografia de Iracema Meireles - Quem é a criadora do Método da Casinha Feliz e como adquirir os materiais?

BIOGRAFIA DE IRACEMA MEIRELES:




Iracema Meireles, profissão professora

Eloisa Meireles*


Criadora do método de alfabetização que hoje leva o seu nome, Método Iracema Meireles. Autora de A Casinha Feliz e É Tempo de Aprender, cartilhas para alfabetização de crianças e adultos respectivamente. Escreveu muitas histórias infantis tendo editado apenas aquelas que se encontram nos livros Novas Histórias da Vovó Marieta e Outras Histórias da Vovó Marieta. (Para adquirir os materiais visite a Livraria Virtual da Casinha Feliz)


racema Meireles, profissão professora

Eloisa Meireles*


Não inventei nada. Na minha vida de magistério, aprendi a observar a criança, o seu modo de agir e reagir, as suas dificuldades pessoais. Creio que a professora é tanto mais professora quanto mais e melhor entende seus alunos. O êxito da criança na aprendizagem (portanto êxito também da professora ) depende muito mais daquilo que a professora recebe da criança do que daquilo que lhe dá. Se a mestra sabe receber, isto é, aceitar o aluno como ele é, atentar para o que ele traz ou necessita, então tudo dá certo. Como considerar novo o nosso método, se durante mais de dez anos, nós o aprendemos, nós o estudamos em um livro imenso e belo – a Criança. Nosso era só o empenho, o propósito de proporcionar às crianças que aprendiam a ler e a escrever uma situação emocional boa ou mesmo ótima, se possível. Mas isso só se consegue com um mínimo esforço de memória e um máximo de interesse.
Com estas palavras, Iracema Meireles apresentou seu método, pela primeira vez na imprensa, em entrevista à Revista do Ensino número 90, da Editora Globo de Porto Alegre,RS, em março de 1963.

Iracema Furtado Soares de Meireles nasceu a 17 de março de 1907, em Recife e morreu a 9 de março de 1982, no Rio de Janeiro. Filha de Tito Lívio da Silva e Maria Joana Guerra da Silva.
Foi casada com Silo Furtado Soares de Meireles , teve 2 filhos e 6 netos.
Criou um método de alfabetização – o Método Iracema Meireles - e escreveu cinco livros: A Casinha Feliz , É Tempo de Aprender, Histórias da Vovó Marieta, Outras Histórias da Vovó Marieta (Editora Primeira Impressão) e Novas Histórias da Vovó Marieta ( Editora Record).

Da infância, em Recife, Iracema recordava com entusiasmo as histórias que lhe contavam e as brincadeiras com o irmão Luiz pelos quintais das inúmeras casas em que morou. Tinha saúde frágil, razão pela qual aprendeu a ler em casa e só freqüentou escola a partir dos oito anos. Iracema sempre se referiu com muito prazer ao fato de ter brincado livre e ter podido ler muitas histórias desde pequena, sem compromisso de horário e dever de casa. As experiências da criança foram decisivas no pensamento da professora:
Criança tem que ter tempo de brincar... Brincar é coisa séria. O brinquedo é uma forma embrionária de trabalho; quem observar uma criança brincando, verá que ela está tão compenetrada quanto um adulto desempenhando uma importante função.
... Dever de casa tem que ser pouco; mais para criar hábitos de responsabilidade do que para reforçar a aprendizagem. Dever de casa só faz sentido se a criança for capaz de fazê-lo sem ajuda dos pais.Senão, que será dos pais que chegam tarde, cansados do trabalho? E que será das crianças cujos pais não sabem ou não podem ajudar?

Valorizava a participação da família nos estudos e pesquisas dos filhos, desde que isto não se tornasse um tormento.
Iracema tinha muito clara a idéia da sobrecarga sofrida pela mãe que trabalha fora e deseja fazer uma carreira. Sonhava com escolas de tempo integral, em ambientes adequados, perto da natureza, oferecendo cuidados e educação de qualidade. Via isto como uma tarefa do estado, para todas as crianças.
Estudou na Academia de Santa Gertrudes, em Olinda,PE e no Colégio das Damas, em Recife,PE. Com a mudança de sua família para Salvador,BA, Iracema ali continuou seus estudos formando-se professora pelo Instituto Normal, em 1926. De volta a Recife, fez o Curso Pedagógico - equivalente hoje ao de Pedagogia – no Colégio Pritaneu.
Desde cedo chamava a atenção pela capacidade de colocar questões e defender seus pontos de vista. Discutia os mais diversos temas e se destacava pelo respeito ao ser humano, independente de sua origem, credo e forma de ser. Ainda jovem, conheceu a Europa, morando na França, na Alemanha e em Portugal, fato que certamente muito influenciou seu espírito em formação.
Lecionando na rede pública de Pernambuco e também particularmente, esteve próxima de camadas sociais distintas, vivenciando e debatendo problemas de toda ordem.
Embora de família católica e educada em colégio de freiras, entusiasmou-se com as idéias socialistas e aproximou-se do Partido Comunista, onde estavam muitos dos seus amigos.
Engajou-se na luta por justiça social, imaginando poder colaborar para melhorar a vida das populações carentes. Sem ser radical, lutou por uma democracia que contemplasse os prismas políticos, econômicos e sociais. Conheceu assim Silo Meireles - que era um dos chefes da revolução de 1935 em Recife – com quem viria mais tarde a se casar. Com a eclosão e o fracasso do movimento, Silo foi preso e Iracema demitida do serviço público do seu estado.
Cursando então a Faculdade de Medicina, Iracema interrompeu seus estudos e se envolveu nas lutas pela garantia de vida dos presos políticos. A repressão se intensificava, inclusive com ameaça de fuzilamento dos líderes da revolução. Silo permaneceu preso e incomunicável por dois anos. Neste período, Iracema acompanhou-o de longe, como pôde, levando a ele e a seus companheiros, pequenas encomendas e muitas mensagens disfarçadas. Depois de dois anos em cela úmida e escura, Silo encontrava-se com a saúde abalada. Transferido para uma prisão no Rio de Janeiro, e com o estado de saúde agravado, foi, depois de algum tempo, removido para uma prisão hospitalar, onde Iracema então passou a acompanhá-lo na condição de esposa.
Mais tarde, já em liberdade, Silo aceita o convite de João Alberto Lins de Barros para trabalhar na Fundação Brasil Central em Caiapônia,GO e Iracema, já com dois filhos, o acompanha. Nesta ocasião, volta a trabalhar em Educação, num grupo escolar da cidade, atuando voluntariamente. Silo é transferido para Uberlândia,MG. Nesta cidade, moram numa chácara afastada do centro. Iracema passa a lecionar em casa e alfabetiza a filha mais velha.
A família volta a residir no Rio de Janeiro, em 1948.

Iracema gostava de campanhas, desafios, coisas assim. Divertia-se encontrando soluções alternativas para problemas clássicos da aritmética, da álgebra e da geometria elementares. Fascinada pelo binômio ensino/aprendizagem, desenvolvia com freqüência, estratégias capazes de estimular e acelerar o aprendizado - fosse ele qual fosse - incluindo atividades lúdicas e multissensoriais. Nessa época dava aulas de matemática para filhos de amigos e de familiares.
Um dia chegou André, com 12 anos, analfabeto. Desanimado, parecia indiferente a tudo e tristemente conformado com a condição de incapaz. Iracema começou a conversar com ele e da conversa, saiu o projeto de construir um parque. Idas ao Jardim Zoológico da cidade, compras de material, a serrinha tico-tico não parava de subir e descer.Os bichos iam surgindo das mãos de Iracema e André. As conversas intermináveis iam dando em frases, que iam dando em palavras.As palavras eram partidas em sílabas. As sílabas iam sendo selecionadas para formarem novas palavras. A maquete do zoológico quase pronta, Iracema inventava situações de leitura e escrita e o menino aprendeu a ler, a escrever e a gostar de estudar. Para André, o problema estava resolvido.Com aulas particulares, ele venceu a defasagem idade/série. Tratava-se de uma dislexia, depois identificada. Para Iracema, entretanto, o “problema” apenas começava. Ela, que adorava desafios, ficou extremamente motivada diante daquele “ desafio pedagógico”: alfabetização de pessoas que não aprendiam na escola como todo mundo...

O caso de André em particular e o analfabetismo existente no país, problema que sempre a preocupara, colocaram, deste momento em diante, a alfabetização no centro dos seus interesses pedagógicos. Lia tudo a respeito, acompanhava as atividades da Escola Guatemala, a escola pública do Rio de Janeiro, onde se realizavam as experiências e os estudos pedagógicos mais avançados da época (anos 50). A Escola Guatemala era o laboratório pedagógico do MEC funcionando em parceria com a secretaria de Educação do então Distrito Federal.
Em 1952 colaborou na fundação do Instituto Santa Inez, em Lins de Vasconcelos, no Rio de Janeiro. Nesta escola, começa a desenvolver algumas idéias próprias, que põe em prática em pequenos grupos de crianças. Percebe que a perfeita compreensão na leitura de um texto, assim como a correção na escrita, dependem crucialmente da competência do sujeito na decifração do código. Percebe também que é indispensável ensinar aos alunos, de forma explícita, as relações entre os sons elementares do idioma (fonemas) e as letras ou grupos de letras que os representam (grafemas). Considera, entretanto, que a aridez e a arbitrariedade desse aprendizado é um enorme obstáculo a ser transposto. Seu espírito irrequieto imagina, com certeza, alguma forma capaz de vencê-lo.
Começa a esboçar o que será seu futuro método. Para cada fonema cria um personagem cuja imagem exibe o grafema e sugere o fonema. Com este artifício, leva o aluno ao reconhecimento e à emissão isolada de cada fonema, ao reconhecimento e à reprodução de cada grafema e ao domínio das relações grafema-fonema.

No dia 5 de julho de 1954, fundou, em Ipanema, no Rio de Janeiro, a sua própria escola (jardim de infância e alfabetização). Numa síntese brilhante do que entendia por educação de crianças, deu-lhe o sugestivo nome de Escola de Brinquedo. Iracema transformava toda aprendizagem em jogo. Criava formas fáceis e divertidas de ensinar coisas difíceis. Encantadas , as crianças embarcavam com ela na maravilhosa aventura de aprender. Ela não deixava ninguém para trás. Uns mais depressa, outros mais devagar, todos chegavam, porque ela acreditava e punha em prática os recursos todos que um professor deve ter para ir buscar lá no fundo de cada criança aquele potencial às vezes adormecido, que para muitos passa despercebido. Acreditava que a aprendizagem determina também o desenvolvimento e não apenas o desenvolvimento determina a aprendizagem.Com a Escola de Brinquedo, ela pôde criar livremente no campo da alfabetização. Embora ainda se iniciasse o trabalho com algumas sentenças, as atividades de leitura e escrita se passavam fundamentalmente no nível das palavras e dentro delas. No jogo instigante da decifração do código fonográfico, iam se dando os encadeamentos que resultariam no seu método. As histórias, as frases e tudo mais convergia para o aprendizado das relações grafema-fonema. Daí, para a formação de palavras e frases e depois de pequenos textos. Avançou então, e passou a contar as histórias em função de apresentar diretamente as letras. Foi uma ousadia para a época. Da história à letra e da letra à palavra. As crianças aprendiam com tal rapidez que ela própria se admirava. Tinha chegado à história da Casinha Feliz, fio condutor que estimulava e conduzia o processo de alfabetização. Estava criado o método. Ainda não havia a cartilha.

Em 1961 aplica seu método em uma turma de alfabetização da Escola Municipal Artur Ramos, sob a direção da professora Francisca Horácio, com o objetivo de divulgá-lo. A notícia do sucesso da experiência chega à Escola Guatemala e ao próprio MEC.
Em 1962, o MEC acompanha a alfabetização de uma turma, pela Casinha Feliz, na escola do Parque Proletário da Gávea. A professora Consuelo Pinheiro, que supervisionou o trabalho como delegada do MEC, registrou em relatório: “ O método de Iracema Meireles difere de qualquer outro processo de meu conhecimento.”
Com base nas observações do MEC, a professora Carmen Teixeira, diretora do Centro Educacional Carneiro Ribeiro, em Salvador,BA, decidiu utilizar o novo método nas Escolas-classe.
Como conseqüência desta experiência , em outubro de 1963, a pedido do professor Anísio Teixeira, foi feita a primeira edição da cartilha, com o nome de História da Casinha Feliz, em 3 volumes , 4 cores, ilustrada por Aldemar D Abreu Pereira. Uma edição do INEP/MEC , não podia ser comercializada.
Seu trabalho se expande. Leva para diferentes lugares a Casinha Feliz e seus moradores- bonecos e letras- e vai contando suas histórias e ensinando a ler. Assim Iracema chega às favelas da Catacumba, do Cantagalo e da Praia do Pinto, na zona sul do Rio de Janeiro. Na Escola Municipal Bombeiro Geraldo Dias ela alfabetiza crianças repetentes com distúrbios de conduta.
Estende seu trabalho aos adultos e alfabetiza doentes de tuberculose no Hospital de Curicica, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul, alfabetiza soldados É convidada para alfabetizar uma turma de jovens no Curso Supletivo na Escola Municipal Dr. Cócio Barcelos, em Copacabana, no Rio de Janeiro.Começa a ser convidada para outros estados e viaja por quase todo o país, alfabetizando e ensinando a alfabetizar.

Da ação política e pedagógica para a ação pedagógica-política
O rompimento de Silo Meireles com o Partido Comunista, mais precisamente com a linha adotada por Prestes em 1945 , levou Iracema a afastar-se completamente da militância político-partidária. Como era uma pessoa extremamente ligada às questões sociais , Iracema fez da ação pedagógica o seu instrumento de luta política. Aquela jovem militante de esquerda do passado desloca o eixo de sua atuação. É categórica: Minha luta política é pela alfabetização dos brasileiros. Afirmava que a alfabetização é condição quase imprescindível para a conscientização do indivíduo e entregou-se de corpo e alma à tarefa da alfabetização popular. Acreditava que a alfabetização – numa sociedade letrada – é o primeiro passo para a cidadania.
A luta de Iracema pela escola pública se deu no corpo a corpo com o aluno. Passou toda a sua vida indo aos lugares os mais distantes para atender a um chamado. E eram muitos, no Brasil inteiro.

Iracema Meireles era uma professora. Estudava muito, lia muito, fez outros cursos, como, por exemplo Fonoaudiologia, mas seu objetivo foi sempre aprender mais para ensinar melhor.
Manteve sempre a capacidade de escutar e respeitar o outro. Trabalhou atenta às dificuldades e diferenças individuais dos seus alunos. No cotidiano confirmou suas inquietações com a condição de marginalização a que ficam relegados aqueles que têm baixo ou nenhum poder aquisitivo. No Primeiro Congresso Brasileiro de Terapia da Palavra, em 1969 no Rio de Janeiro, fez pronunciamento centrado na alfabetização. Em determinado momento ressaltou:
“Num país como o nosso, onde o analfabetismo desgraçadamente atinge índices tão altos, o problema da alfabetização do adulto apresenta-se de magna importância. Pode e deve ser considerado verdadeiro problema de defesa da nossa nacionalidade. Na qualidade de velha professora primária, cuidando nos últimos anos da alfabetização, não posso deixar de voltar os olhos com tristeza para o analfabeto adulto de nossa terra, vendo-o tão numeroso, quase às portas do último quartel do século xx.”

Foi condecorada em 1971 com a Medalha do Pacificador, conferida pelo Ministério do Exército, em virtude dos relevantes serviços prestados à alfabetização de adultos. Ao caminhar pelo Brasil, marcou uma trajetória de iniciativas e ações dedicadas à educação e à questão social. Lutou tenazmente pela dignidade do ser humano que precisava tornar-se um leitor consciente e participativo nas mudanças do seu país.
Criou um método de alfabetização completamente original, profético em vários sentidos.
O Método Iracema Meireles é aplicado no Brasil e no exterior, em amplitude considerável, e sempre com enorme sucesso.


*: Eloisa Meireles é professora.

Fonte: www.acasinhafeliz.com.br


***
QUEM DESEJAR ADQUIRIR QUALQUER DOS LIVROS, CARTILHAS, MANUAL OU DEMAIS MATERIAIS DO MÉTODO PODE VISITAR O LINK ABAIXO:



Frases e citações de Emília Ferreiro

Frases de Emília Ferreiro sobre educação, sobre crianças, sobre escola, sobre professores, alfabetização e letramento, uso da internet, cartilhas de alfabetização e muitos outros temas:




“Um dos maiores danos que se pode causar a uma criança é levá-la a perder a confiança na sua própria capacidade de pensar” 

"Ler não é decifrar, escrever não é copiar"
(Emília Ferreiro)


A escrita da criança não resulta de simples cópia de um modelo externo, mas é um processo de construção pessoal.



 "... A minha contribuição foi encontrar uma explicação segundo a qual,
por trás da mão que pega o lápis,
dos olhos que olham,
dos ouvidos que escutam,
há uma criança que pensa"
(Emília Ferreiro)

"A escrita é uma construção coletiva e não individual".


"A escrita não é um produto escolar, mas sim um objeto cultural, resultado do esforço coletivo da humanidade. Como objeto cultural, a escrita cumpre diversos funções de existência".

"Nenhuma criança chega à escola ignorando totalmente a língua escrita. Elas não aprendem porque vêem e escutam ou por ter lápis e papel à disposição, e sim porque trabalham cognitivamente com o que o meio lhes oferece."


"Para aprender a ler e a escrever é preciso apropriar-se desse conhecimento, através da reconstrução do modo como ele é produzido. Isto é, é preciso reinventar a escrita. Os caminhos dessa reconstrução são os mesmos para todas as crianças, de qualquer classe social."


"O processo de alfabetização nada tem de mecânico do ponto de vista da criança que aprende. A criança constrói seu sistema interativo, pensa, raciocina e inventa buscando compreender esse objeto social complexo que é a escrita. "

"Quando uma criança escreve tal como acredita que poderia ou deveria escrever certo conjunto de palavras, está oferecendo um valiosíssimo documento que necessita ser interpretado para ser avaliado. Aprender a lê-las , interpretá-las é um longo aprendizado que requer uma atitude teórica definida."

"As crianças não precisam atingir uma certa idade e nem precisam de professores para começar a aprender. A partir do nascimento já são construtoras de conhecimento. Levantam problemas difíceis e abstratos e tratam por si próprias de descobrir respostas para elas. Estão construindo objetos complexos de conhecimento. E o sistema de escrita é um deles."

"Eles aprenderam a usar a internet sozinhos e rapidamente, sem instrução escolar nem paraescolar. Eles conhecem essa tecnologia melhor que os adultos — os alunos sabem mais do que seus mestres. Essa é uma situação de grande potencial educativo, porque o professor pode dizer: "Sobre isso eu não sei nada. Você me ensina?" A possibilidade de uma relação educativa realmente dialógica é fantástica."


"A homogeneidade é um mito que nunca se alcança. Eu posso aplicar uma prova, dizer que vinte estudantes são iguaizinhos e colocá-los todos juntos para trabalhar. Daqui a uma semana eles não serão mais iguais, porque os ritmos de desenvolvimento são muito variados."


"Num primeiro momento, houve apenas a troca de rótulos. Os fracos passaram a ser chamados de pré-silábicos. Os que estavam no meio do processo eram os silábicos e os que eram fortes foram classificados como alfabéticos. "


"A idéia de que eu, adulto, determino a idade com que alguém vai aprender a escrever é parte da onipotência do sistema escolar que decide em que dia e a que horas algo vai começar. Isso não existe. As crianças têm o mau costume de não pedir permissão para começar a aprender. "

"Certa vez um editor brasileiro me acusou de estar arruinando o negócio de cartilhas, e parece que ele tinha razão. Se tenho mesmo relação com a queda na produção desses livros, estou muito orgulhosa. Eles eram de péssima qualidade, horríveis, assustadores. Eram pura bobagem."


"...há vinte anos parecia um sacrilégio, no Brasil, dizer que a família silábica não era a melhor maneira de trabalhar. Tenho a impressão de que isso mudou e de que esse é um caminho sem volta. Para ensinar a ler e escrever é necessário utilizar diferentes materiais. Um livro só não basta. É preciso utilizar livro, revista, jornal, calendário, agenda, caderno, um conjunto de superfícies sobre as quais se escreve.  "

"As primeiras tentativas já não vistas como rabiscos, mas uma espécie de escrita"

"Alfabetizar é cada vez mais uma tarefa difícil"
 
"A escola sempre trabalhou mal a revisão de texto e os alunos odiavam fazê-la porque num texto a mão é preciso voltar a escrever tudo. Com um processador de texto, a revisão se torna um jogo: experimenta-se suprimir ou deslocar trechos, com a possibilidade de desfazer tudo. Após as intervenções, temos na tela um texto limpo, pronto para ser impresso. A revisão é fundamental para que as crianças assumam a responsabilidade pela correção e clareza do que escrevem."
"Quando a escola foi criada, também havia muita diversidade. Mas foi uma diversidade negada. Todas as crianças deviam ter os mesmos direitos, aprender as mesmas coisas, da mesma maneira e falar a mesma língua. Quando se estabelece isso, a missão da escola é formar esse cidadão ideal, que deve saber certas coisas e falar de certa maneira. Hoje, a comunicação entre as diversidades, as possibilidades de encontro se multiplicaram exponencialmente. Não havia tanto encontro de diversidades antes, exceto em alguns lugares. Então, historicamente, a escola não foi criada para respeitar a diferença."


"Ter internet na escola não resolve os problemas, fabrica novos, mas que são desafios interessantes. Para adolescentes, discutir junto com eles, colocá-los em busca dessas respostas, é uma situação que pode ser apaixonante, inclusive usando a experiência que eles já têm com a internet. É preciso saber enfrentar os problemas educativos novos que nos são colocados. A internet traz um novo tipo de diversidade à escola."
"...já não se consideram as produções das crianças de 4 ou 5 anos como tentativas erradas ou rabiscos, a exemplo do que se dizia antigamente, mas sim como uma espécie de escrita. Parece-me que agora há uma atitude positiva, como sempre houve em relação aos primeiros desenhos. Outro avanço tem a ver com não se assustar quando crianças pequenas querem escrever. Antes elas eram desestimuladas porque se achava que não "estavam na idade". Também se reconhece a importância de ler em voz alta para elas desde muito cedo. Já se sabe que existe uma diferença grande entre ler e contar uma história. Há um pequeno avanço - não tanto quanto deveria haver - na prática de ler textos distintos e na valorização da biblioteca de sala de aula. A simples atividade de ordenar os livros com as crianças, usando critérios múltiplos, já as aproxima muito da leitura e enriquece a escrita."

     
Fonte: Foram utilizados diversos trechos de entrevistas dados por Emília Ferreiro aos meios de comunicação como Revista Nova Escola, Educar para crescer etc.


Vídeos:













A história da abelhinha em 7 capítulos - Método misto de Alfazetização de Almira Sampaio

HISTÓRIA DA ABELHINHA



   

        Era uma vez uma abelhinha que nasceu com uma asa só. Ela não podia voar nem um pouquinho,
por isso, ela vivia suspirando assim: a... a...
        A abelhinha tinha tanta vontade de voar... Se ela pudesse voar, quantas coisas maravilhosas haveria de fazer!
        A abelhinha contava tudo o que pensava a uma escova, amiga dela.
        A escova era mágica, mas a abelhinha não sabia.
        Um dia, a escova encantada disse à abelhinha:
        - Querida abelhinha, você ainda há de ter asas deste lado também. Espere com paciência, minha amiga!
        A escova mágica explicou: Eu sou uma escova mágica. Posso fazer muita coisa boa.
        A abelhinha ficou muito feliz e pensativa. Toda vez que a escova via a abelhinha pensando, dizia com uma voz rouca e misteriosa: e... e...
        Todas as manhãs a abelhinha costumava brincar perto de um mato muito alto.
        Uma vez, ela viu as folhas do mato se mexerem. E, no mesmo instante, escutou um barulhinho assim: i... i... i...
        A abelhinha olhou para um lado, olhou para outro, e nada viu... começou a sentir um pouquinho de medo.
        Nisso saiu do mato um pequeno índio, todo enfeitado de penas.
        A abelhinha, muito espantada perguntou:
        - Foi você quem fez aquele barulhinho, foi?
    - Eu mesmo! Por quê?
        - Porque eu estava com medo. Mas agora já passou. Quer ser meu amigo, indiozinho?
        Sim, falou o pequeno índio.
        Então, os dois combinaram uma porção de brincadeiras.
        Uma tarde, a abelhinha e o índio brincavam no quintal de uma casa grande. A abelhinha viu no chão uma coisa muito esquisita. Olhou... olhou... Nunca tinha visto aquilo.
        A abelhinha resolveu perguntar:
        - Como é o seu nome?
        Mas a tal coisa esquisita só fez um barulhinho assim: “o”... “o”...
        Foi aí que a abelhinha viu que a tal coisa era uns óculos quebrados.
        Com muita pena, ela indagou:
        - O que foi que aconteceu com você, amigo óculos?
        Os óculos não disseram uma palavra.
        Então a abelhinha achou que os óculos estavam precisando de ajuda.
        - Eu vou ajudar você, ouviu? Vou pedir à minha amiga, escova mágica, que conserte você.
        O indiozinho apanhou os óculos e foram juntos até a casa da escova mágica.
        Eles iam andando, quando de repente viram junto de uma árvore surgir um ursinho, que quis fazer logo uma brincadeira com eles. Escondeu-se atrás da árvore e, para assustar os amigos, ele fez assim: u... u...
        Já estava ficando noite.
        Bem – falou a abelhinha – acho que hoje vou dormir aqui mesmo. Posso? E sem esperar resposta, deitou-se no meio dos pêlos da escova encantada. E logo tirou um soninho.
        De repente, a abelhinha acordou e começou a gritar:
        - Socorro! Socorro! Socorro! Por favor, me acudam.
        - Que é que aconteceu com você? – perguntou o ursinho.
        A abelhinha respondeu com voz de choro:
        - A escova mágica está pegando fogo!
        Não é fogo não abelhinha! É um bichinho que tem uma luz... parece até uma lanterninha! Ele também está com medo.
        A escova encantada sacudiu os pêlos, e o bichinho saiu voando.
        - Como é seu nome? – Quis saber a abelhinha.
        O bichinho, muito afobado, só conseguiu fazer um barulhinho assim: v... v...
        E mais uma vez a escova mágica explicou:
        - O som que vocês escutaram, meus amigos, veio dessa flor aí. Qualquer um que sacuda as pétalas dessa dália, pronto: a gente ouve logo esse barulhinho.
        O vaga-lume falou assim:
        - Eu estava voando lá no meio da mata. Nisso me assustei com os olhos de um lobo. Pareciam duas velas acesas andando de um lado para o outro na escuridão da noite. Logo depois escutei um uivo diferente. Quase morri de medo!
        A abelhinha não se conteve e perguntou:
        - E como era esse uivo, heim?
- Não sou capaz de repetir – respondeu o vaga-lume. – Já experimentei muitas vezes, mas não consegui.
        A escova explicou tudo:
        - O lobo caiu numa armadilha. O laço apertou demais o pescoço dele. Por isso o uivo saiu diferente. Vocês querem saber como foi o uivo?
        A escova repetiu três vezes a palavra mágica: “quadiduvivu”.
        Todos escutaram o uivo abafado de um lobo. Era um uivo assim: l... l...
        A abelhinha quis logo saber:
        - E depois, que aconteceu?
        - Tratei de fugir depressa; e acabei perdido no meio da mata.
        - E depois? – perguntou o pequeno índio.
        - Depois continuei voando. Voei, voei... Fiquei tão cansado que caí no chão. E que é que havia de aparecer na minha frente? Uma minhoca! Uma minhoca comprida, muito vagarosa; cheia de requebros, cheia de dengos... Uma simpatia de minhoca! Ela chegou até junto de meu ouvido e começou a fazer um barulhinho engraçado. Eu acho que ela ia me contar algum segredo! Mas não entendi nada. Ah, se eu pudesse descobrir o que a minhoca queria dizer...
        Naquela hora a abelhinha, o pequeno índio e o ursinho olharam para a escova encantada. Ela adivinhou o pensamento de seus amigos e disse de novo, três vezes: “quadiduvivu”.
       Mal acabou de falar a palavra mágica, saiu do chão uma fumacinha muito branca, que foi subindo. Por fim desapareceu no ar.
        E, naquele mesmo lugar, todos viram, de repente, a minhoca aparecer. A minhoca se requebrando toda, começou logo a fazer um som engraçado, assim: m... m...
        Um dia a abelhinha viu lá no céu, uma pipa balançando pra lá, pra cá. Quando o vento batia na pipa com força, ela fazia um barulhinho assim: p... p...
        A abelhinha estava tão distraída ouvindo o barulhinho, que não viu o gato Golias chegar.
        - Abelhinha, que é que você está fazendo? Perguntou o gato, muito curioso.
- Ah, eu estou sonhando, amigo Golias... Sabe com o quê? Com as asas que vou ganhar deste lado. Quando isto acontecer eu poderei... voar! A escova mágica me prometeu ajuda, mas disse que eu tenho que esperar.
O gato, para alegrar a abelhinha, perguntou:
        - Você quer dar um passeio lá onde está a pipa?
        - Quero, sim! – respondeu ela bem depressa.
        Então o gato puxou a pipa. A abelhinha segurou-se nela e a pipa subiu outra vez.
        Golias prendeu a linha da pipa numa pedra e foi tirar uma soneca. Logo depois, o gato roncava fazendo um barulhinho assim: g... g...
        Perto dali, no buraco de um velho tronco, vivia escondido Roque-Roque.
        Roque-Roque era um rato levado. Ele tinha escutado a conversa do gato e da abelhinha, e achou que podia divertir-se à custa do bichano.
        Brincar com a abelhinha não dava, pois ela estava lá no alto, passeando na pipa... Mas o gato Golias estava dormindo logo ali, bem perto. Bastava uma corridinha e pronto!
        Sem fazer barulho, para não acordar o bichano, Roque-Roque saiu do buraco. Deu um puxão na cauda do Golias e quis voltar depressa para casa. Mas não conseguiu. Ficou tão atrapalhado que começou a fazer um barulhinho assim: r... r...
        O gato Golias ainda dormia quando Roque-Roque aproveitou a ocasião para nova brincadeira: deu um peteleco nas orelhas do bichano e fez cócegas no focinho dele.
        Depois procurou um lugar para se esconder. Não queria medir forças com o gato Golias, não! O ratinho não era bobo.
        Escondeu-se atrás de uma pedra e lá ficou muito quietinho. Mas agora Golias estava bem acordado. Golias saiu miando com raiva, querendo descobrir quem tinha mexido com ele. E assim a pipa ficou abandonada, balançando de um lado para outro.
        A força do vento foi aumentando, até que a linha da pipa arrebentou. A pipa, levada pela ventania, acabou ficando presa no alto de uma torre.
        O vento soprava cada vez mais forte! E como batia na torre... E como batia na pipa!
E como sacudia a abelhinha!...
        De vez em quando, por causa da força do vento, a torre parecia que estava fazendo um barulhinho assim: t... t...
        Num dia de sol bem quente, a abelhinha estava com muita sede. Então a abelhinha entrou numa casa e viu, em cima do fogão, um bule. E pensou: Talvez eu ache água para beber nesse bule.
        A abelhinha chegou mais perto. Parecia que o bule estava resmungando.
        Ela ouviu um barulhinho assim: b... b...
        A abelhinha começou a pensar: Ué! Que coisa engraçada! Um bule resmungando... Não pode ser. Bobagem! Com certeza eu é que não ouvi direito. Vou prestar mais atenção.
        A abelhinha olhou de novo para o bule. Aí, ela compreendeu tudo: a água estava fervendo e a tampa do bule é que fazia barulho.
        Água fervendo! Não vou beber, não! Pensou a abelhinha. Vou matar a minha sede em outro lugar.
        A abelhinha bebeu água na pia.
        A abelhinha foi até a janela, olhou para fora e viu, perto da lagoa, um sapo de olhos esbugalhados. O sapo espiava um papel que estava no chão. Depois fechava os olhos, punha a língua de fora, balançava a cabeça devagarinho e fazia assim: s... s...
        A abelhinha não conseguia entender o misterioso sapo, nem por que ele fazia tantas caretas.
        E não foi só a abelhinha que não entendeu as caretas do sapo.
        Um jacaré, que morava na lagoa, achou também o sapo esquisito. E perguntou:
        - Por que é que você olha tanto para esse papel, amigo sapo? Por que sacode a cabeça? Por que é que está fazendo esse barulhinho?
        O sapo fingiu não ter ouvido nada. Há muito tempo ele queria dar uma lição no jacaré, que era muito misterioso.
        Morrendo de curiosidade, o jacaré aproximou-se do sapo.
        Foi aí que o sapo, ligeiro como um raio virou para baixo a folha de papel e perguntou:
        Você já viu esta figura? Na mesma hora o jacaré balançou a cabeça dizendo sim.
        Você viu mesmo, amigo jacaré?
        Um pouco envergonhado por ter falado uma mentira, o jacaré fez apenas um barulhinho assim: j... j...
        O sapo fingiu que não estava reparando na atrapalhação do jacaré. E fazia uma pergunta atrás da outra:
        Você já falou com ele?
        J... Foi só o que o jacaré disse.
        Ah! Agora tenho certeza: você está mentindo! Gritou o sapo com pose de vencedor. – Como você pode ter falado com ele, jacaré, se ele nem sabe falar...
        Rindo muito, mostrou a figura ao mentiroso...
        Aí, o jacaré ficou sem jeito mesmo. Deu uma corrida e tchibum! Mergulhou bem depressa na lagoa.
        O sapo foi embora pulando, todo contente, e deixou o papel no chão.
        A abelhinha resolveu ver de perto a figura que estava no papel. Ela queria saber o que era gordinho, sem dentes e não sabia falar.
        A figura nada mais era do que o retrato de um neném, o netinho de dona Júlia.
        A abelhinha achou que devia levar o retrato para casa da vovó. Mas como o retrato era grande e pesado!
        Sozinha ela não ia agüentar. Pensou em pedir ajuda ao vaga-lume.
        No mesmo instante o vaga-lume apareceu e foi logo ajudar a abelhinha. Chamou mais alguns vaga-lumes para levarem, juntos, o retrato do neném à casa da vovó.
        Quando já iam saindo, a abelhinha reclamou:
        Esperem, esperem! E eu? Vocês se esquecerem de mim? Ou não sabem que eu também quero ir?
        E os vaga-lumes responderam: Você também vai, abelhinha! Suba logo no retrato, pois já está anoitecendo e temos que ir embora.
        Os vaga-lumes voaram pelo céu afora. Voaram... Voaram... De vez em quando, acendiam as lanterninhas para iluminar a escuridão da noite.
        Por fim, chegaram à casa da vovó. Entraram no quarto do neném. Ele brincava sozinho, na cama. Viu os vaga-lumes e gostou das luzinhas deles. Mas como não sabia falar, o neném começou a fazer assim: n... n...
        Os vaga-lumes não compreenderam o que o neném queria dizer.
        Os vaga-lumes foram procurar a vovó, na sala de jantar.
        A vovó estava preparando torradas. Ela cortava as fatias de pão com muita dificuldade, porque a faca estava cega.
        Todas as vezes que a faca roçava na casca do pão, fazia assim: f... f...
        Quando as torradas ficaram prontas, Dona Júlia quis descansar um pouco. Sentou-se na cadeira de balanço e acabou dormindo.
        Os vaga-lumes entraram voando na sala. Sem fazer barulho puseram, no colo da vovó o retrato do neném e a abelhinha. Depois os vaga-lumes foram embora.
        A abelhinha se escondeu numa dobra de saia xadrez de Dona Júlia.
        De repente, a abelhinha viu um caracol encostado no pé da cadeira e começou a pedir baixinho:
        Caracol, bota o chifre de fora. Caracol, bota o chifre de fora.
        E o caracol, nada!
        Será que o meu amigo está zangado?, pensou a abelhinha. Ou quem sabe, ele não me ouviu direito? Talvez esteja dormindo...
        Nisso, o caracol, lá dentro de sua casa, fez assim:c... c...
        A abelhinha ouviu o som que o caracol fazia e ficou um pouco espantada. Agora é que ela não estava entendendo nada.
        Nesse momento, o caracol pôs a cabeça de fora. A abelhinha, muito curiosa, perguntou:
        Foi você que fez o barulhinho que eu ouvi ainda há pouco, amigo caracol?
        Fui eu, sim – respondeu ele muito alegre – Às vezes, eu gosto de falar sozinho...É que tenho esse costume, sabe? Mas... porque é que você me chamou, abelhinha?
        Eu? Ah! Veja só caracol, não é que, com a nossa conversa, me esqueci do que eu queria dizer.
        - Ah! Caracol, você costuma brincar com o neném ?
        - Brinco com ele sim, minha amiga. Mas no outro dia, fiquei muito zangado com o neném. Imagine que ele jogou os óculos da vovó pela janela. Os óculos caíram no chão, lá no quintal.
        E a vovó? – quis logo saber a abelhinha.
        A vovó – respondeu o caracol – pediu à lavadeira que apanhasse os óculos. A lavadeira procurou por todos os cantos do quintal e não achou nada. Os óculos tinham desaparecido. Um verdadeiro mistério.
A abelhinha interrompeu o caracol para dizer: Óculos quebrados da vovó, no quintal... Depois sumiram? Mistério... É isso mesmo! São os óculos que eu encontrei outro dia...
A abelhinha ficou com muita pena da vovó.
Ela chamou, então, três vezes a escova. Na mesma hora a escova apareceu.
        Que é que você quer de mim, abelhinha? – perguntou a escova.
        - Ah! Minha grande amiga! – suspirou a abelhinha. – Você prometeu ajudar os óculos quebrados, não foi? E disse que eles tinham de esperar um pouco. Acontece que esses óculos são da vovó e ela está precisando tanto deles... Se você consertasse os óculos agora mesmo, eu ficaria tão contente...
        Você é de fato uma boa abelhinha! – falou muito satisfeita a escova encantada.- Por isso vou fazer o que você me pediu.
A escova disse três vezes a palavra quadiduvivu. E logo aparecem os óculos de Dona Júlia, já consertados.
        - Obrigada, obrigada! – agradeceu muito feliz a abelhinha.
A abelhinha e o caracol ficaram calados.
De repente, a abelhinha perguntou: Que é aquilo ali, caracol?
        Aquilo? Ah! Ah! Ah! Aquilo... Você não está vendo, abelhinha?
        É que essa zebra é de corda, e só anda fazendo ziguezague – exploicou o caracol. – Vou mostrar a você como é, abelhinha.
O caracol deu um empurrão, de leve na zebra. Ela ainda tinha um pouco de corda e começou a andar em ziguezague, fazendo um barulhinho assim: z... z...
A zebra Ziguezague andou, andou... até a corda acabar.
A abelhinha, que estava olhando para outro brinquedo, perguntou ao caracol: E aquele lá, quem é?
        - Aquele? Aquele é Xaveco, o boneco de molas mais travesso do mundo! Lá no canto do quarto, Xaveco começou a pular, fazendo um som assim: x... x.... Nisso, o caracol avisou à abelhinha: O neném está choramingando. A vovó acaba de acordar.
        - Caracol, veja só como a vovó ajeita os óculos no nariz – falou baixinho a abelhinha.
        Ih! Agora ela começou a rir para o retrato do neném. Repare bem! Ela se levantou caracol! Pra onde será que ela vai?
        Dona Júlia está indo para o quarto do netinho – respondeu o caracol.
Dona Júlia não viu a abelhinha e o caracol, quase pisando nos dois.
        Uf! Que susto eu levei! Reclamou a abelhinha. – É melhor a gente ir para o outro lado da sala. Nada de ficar na passagem, amigo caracol.
É muito perigoso!
Nessa hora, o neném choramingou de novo.
Vovó pôs Xaveco perto dele, na caminha azul e cantou:
- Fique bem quietinho!
Xaveco endiabrado
Deixe o meu netinho
Dormir sossegado.
A abelhinha e o caracol entraram no quarto do neném.
Ele estava dormindo na sua caminha azul.
A abelhinha foi logo perguntando ao caracol:
        - Como é o nome daquilo que está ali?
        - É uma harpa de brinquedo – respondeu o caracol.
        - Para que serve uma harpa? – tornou a perguntar a abelhinha.
-A harpa serve para tocar música, abelhinha! Ela é da família do violão. Só que ela precisa de uma outra amiguinha para toca-la. Sozinha ela não faz som algum.
A abelhinha convidou o caracol para irem até a cozinha.
        - Vamos sim, amiga abelhinha.
        Chegando lá, ouviram um barulhinho estranho.
        - Você está ouvindo isso, amigo caracol?
        - Sim, o que será?
        - Não sei, vamos chegar mais perto.
        - Olha ali, caracol!
        Era o ratinho que comia escondido o queijo da vovó. Toda vez que mordia o queijo fazia um barulhinho assim: q... q...
        Um dia , a abelhinha estava no jardim da casa da Dona Júlia.
        A abelhinha fechou os olhos e começou a pensar: Ah! Como seria bom se as minhas asas tivessem nascido! ... eu iria voar por estas árvores e estas flores.
        Foi ai que a abelhinha ouviu três vezes: quadiduvivu! Pensou logo: a escova mágica está aqui!
        Então a abelhinha resolveu abrir os olhos.
        Nesta hora, ela teve uma grande surpresa. Não é que ela, a abelhinha, estava lá em cima, no galho da árvore? Como é que tinha chegado até ali? Ela não podia voar...
        Justamente nesse momento, a abelhinha ouviu a escova mágica dizer:
        - Você agora, abelhinha, tem o que tanto queria. Mereceu bem esse prêmio. Voe, agora, todo o dia.
        Então a abelhinha entendeu tudo: já tinha quatro asas. Agora podia voar para onde quisesse. A abelhinha quase chorou de alegria.
        A abelhinha estava muito feliz. Ela falava tão alto, fazia tanto barulho, que chamou a atenção do indiozinho e dos óculos. Eles estavam brincando ali perto e vieram depressa.
        Nessa hora, a escova mágica anunciou: Vou dar uma festa de arromba lá em casa. Uma festa que vai durar três dias e três noites.
        O indiozinho quis logo saber:
        - Festa? Por causa de quê?
        A abelhinha achou que devia responder:
        - Por minha causa, indiozinho. Quer ver uma coisa?
        E, muito feliz, a abelhinha começou a voar em volta dos amigos.
        Foi quando o indiozinho gritou: Que maravilha! A abelhinha já pode voar, minha gente!
        A abelhinha, muita prosa, voava, voava sem parar.
        A escova olhou para a abelhinha e pensou: Ela bem que merece essa felicidade, bem que merece...
        O melhor é irmos andando, disse a escova mágica. Temos de preparar a festa: arrumar a casa, fazer os doces, arranjar a música. Vamos precisar de que todos ajudem e... não podemos perder tempo.
        O indiozinho disse logo: Pode contar comigo!...
        Então a escova falou: Vocês querem convidar os outros amigos? E pedir que eles venham também ajudar? Essa festa tem de ser mesmo de arromba. Uma festa como ninguém ainda viu. Uma festa para a abelhinha!
        E a abelhinha gritou:
        - Essa festa é da escova também! Viva a escova!





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