A letra do Hino da Proclamação da República é de autoria de Medeiros e Albuquerque, e a música, de Leopoldo Miguez.
Aqui está a letra completa:
Hino da Proclamação da República
I
Seja um pálio de luz desdobrado, Sob a larga amplidão destes céus, Este canto rebel que o passado Vem remir dos mais torpes labéus! Seja um hino de glória que fale De esperança, de um novo porvir! Com visões de triunfos embale Quem por ele lutando surgir!
Refrão
Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós! Das lutas na tempestade Dá que ouçamos tua voz!
II
Nós nem cremos que escravos outrora Tenha havido em tão nobre País... Hoje o rubro lampejo da aurora Acha irmãos, não tiranos hostis. Somos todos iguais! Ao futuro Saberemos, unidos, levar Nosso augusto estandarte que, puro, Brilha, avante, da Pátria no altar!
Refrão
Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós! Das lutas na tempestade Dá que ouçamos tua voz!
III
Se é mister que de peitos valentes
Refrão
Liberdade! Liberdade!
IV
Do Ipiranga é preciso que o brado
Refrão
Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós! Das lutas na tempestade Dá que ouçamos tua voz!
O Hino da Proclamação da República, por ser uma composição histórica, possui algumas palavras que não usamos no dia a dia.
Aqui está um vocabulário detalhado com o significado das palavras e expressões mais difíceis do hino:
| P alavra / Expressão | Estrofe | Significado |
| Pálio | I | Pano que cobre ou protege algo; um dossel ou cobertura. Neste contexto, sugere algo protetor e glorioso. |
| Larga amplidão | I | Grande extensão; vastidão. |
| Rebel | I | Rebelde, que se opõe à ordem estabelecida. Referência ao movimento republicano contra a monarquia. |
| Remir | I | Resgatar; livrar de um mal, castigo ou culpa. Aqui, significa libertar o país de um passado vergonhoso (a monarquia e a escravidão). |
| Torpes labéus | I | Expressão que significa "manchas vergonhosas" ou "máculas ignóbeis". Referência às mazelas do regime anterior. |
| Novo porvir | I | Um novo futuro, uma nova época. |
| Embale | I | Acalente; inspire; que dá ânimo e conforto. |
| Rubro lampejo da aurora | II | O brilho vermelho do nascer do sol. Simboliza o início de uma nova era, a República. |
| Tiranos hostis | II | Governantes opressores e inimigos. |
| Augusto | II | Digno de respeito; venerável; majestoso; imponente. |
| Estandarte | II | Bandeira ou insígnia. |
| Altar | II | Lugar sagrado; neste contexto, refere-se à Pátria como um ideal sagrado. |
| Se é mister | III | Se é necessário; se for preciso. |
| Pendão | III | Sinônimo de bandeira, estandarte. |
| Audaz pavilhão | III | Bandeira corajosa, ousada. |
| Transes supremos | III | Momentos cruciais, decisivos, de grande perigo (como o momento da guerra). |
| Púrpuras régias | IV | Expressão que se refere à realeza ou à monarquia. A púrpura era uma cor associada à nobreza e ao poder real. |
| Eia, pois | IV | Interjeição de estímulo; "Vamos!", "Coragem!", "Ânimo!". |
| Louros louçãos | IV | Louros (vitória) que são vistosos, belos e esplêndidos. |
Medeiros e Albuquerque (Autor da Letra)
José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque foi um intelectual multifacetado, com grande atuação na política e na cultura do Brasil.
Nascimento e Morte: 4 de setembro de 1867 (Recife, PE) – 9 de junho de 1934 (Rio de Janeiro, RJ).
Carreira e Atividades:
Escritor Prolífico: Atuou como jornalista, contista, poeta, romancista, teatrólogo, ensaísta e memorialista.
Academia Brasileira de Letras (ABL): Foi um dos membros fundadores da ABL, ocupando a cadeira n.º 22, cujo patrono é José Bonifácio, o Moço.
Política e Educação: Foi um fervoroso defensor da República e da Abolição da Escravatura. Ocupou cargos públicos importantes, como Secretário do Ministério do Interior, vice-diretor do Ginásio Nacional e diretor geral da Instrução Pública do Distrito Federal.
Deputado Federal: Elegeu-se deputado federal por Pernambuco, e foi responsável por conseguir a aprovação da primeira lei dos direitos autorais no Brasil.
O Hino: A letra que ele compôs para o Hino da Proclamação da República venceu o concurso promovido pelo Governo Provisório, mas o povo, apegado à melodia do antigo Hino Nacional, acabou forçando a manutenção da melodia anterior (que hoje é a do Hino Nacional).
Leopoldo Miguez (Autor da Música)
Leopoldo Américo Miguez foi um dos compositores mais importantes do Romantismo musical brasileiro e um grande mestre.
Nascimento e Morte: 9 de setembro de 1850 (Niterói, RJ) – 6 de julho de 1902 (Rio de Janeiro, RJ).
Formação: Passou parte da infância na Espanha e em Portugal, onde iniciou seus estudos musicais, aprendendo violino. Mais tarde, na Europa, aperfeiçoou-se em composição.
Carreira Musical:
Maestro e Compositor: Foi um respeitado violinista, maestro e compositor, com uma obra que inclui sinfonias, poemas sinfônicos (como Parisina e Prometeu), música de câmara e uma ópera (Os Saldunes).
Reforma do Ensino: Foi o primeiro diretor do Instituto Nacional de Música (atual Escola de Música da UFRJ), instituição que ele ajudou a organizar e disciplinar, sendo um renovador do ensino musical no país.
O Hino: A música que ele compôs, junto com a letra de Medeiros e Albuquerque, venceu o concurso em 1890, mas foi oficializada como o Hino da Proclamação da República, e não como o novo Hino Nacional do Brasil.
Juntos, eles criaram uma obra que é um poderoso símbolo cívico da transição do Brasil da Monarquia para a República.
A história da escolha do Hino da Proclamação da República é, na verdade, um episódio curioso e muito interessante da história cívica do Brasil.
O ponto crucial é: o hino de Medeiros e Albuquerque e Leopoldo Miguez foi criado para ser o novo Hino Nacional, mas a vontade popular interveio.
O Concurso (1889-1890)
A Necessidade de um Símbolo: Após a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, o Governo Provisório, liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca, sentiu a necessidade de adotar novos símbolos que representassem o novo regime e rompessem com o passado monárquico.
O Edital: Foi lançado um concurso para a escolha de um novo Hino Nacional. Muitos compositores e poetas brasileiros participaram, enviando suas propostas.
Os Vencedores: A composição de Medeiros e Albuquerque (letra) e Leopoldo Miguez (música) foi a grande vencedora do concurso.
A Rejeição Popular e a Decisão Final
O Apego ao Passado: Quando o novo hino (o de Medeiros e Albuquerque e Miguez) foi apresentado ao público, a reação foi surpreendente. A população já estava profundamente apegada à melodia do antigo Hino Nacional, que era a mesma que conhecemos hoje, composta por Francisco Manuel da Silva.
A Palavra de Deodoro: Diz a história que o próprio Marechal Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente da República, preferia a melodia tradicional. Ele teria dito a famosa frase (embora contestada por alguns historiadores):
"Comigo o hino fica o que era."
O Decreto: Diante da forte reação e da nostalgia popular pela melodia antiga, o Governo Provisório precisou agir. Em 20 de janeiro de 1890, foi assinado o Decreto nº 171, que resolvia o impasse de forma engenhosa:
Conservava a melodia do antigo hino (de Francisco Manuel da Silva) como o Hino Nacional Brasileiro (ainda sem letra oficial até 1909).
Adotava a canção vencedora do concurso (de Medeiros e Albuquerque e Miguez) como o Hino da Proclamação da República.
Assim, a canção que deveria ter sido o Hino Nacional se tornou um hino cívico, celebrando especificamente o evento que lhe deu origem.
Pesquisa realizada por ESPAÇO EDUCAR



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